Ivan Viñas | 2 poemas

Tradução
Lucas Reis Gonçalves
Querida Luísa

Escutei que estás saindo com um supervilão
de dois metros
que lança raios pelos olhos
logo vens
e me dizes que não te trata bem.

Eu sigo colocando as malhas e a capa
e me sento na poltrona
a olhar telenovelas.

Se necessitas ajuda, avisa.

 

Há coisas que não entendo

Atrás da escrivaninha
aparece um grilo como um grave augúrio
com antenas como arames.
Só imagino uma forma em que um grilo
chegue até este quarto andar
que se crê masmorra.

Verás,
há coisas que não entendo
de valências químicas,
por exemplo,
de economia
não entendo
que fazes aí esperando
como se fosse tua única tarefa na vida.

Mas conheço bem o sentimento,
é este mesmo
de que não me saem os versos.
O pé esquerdo não para
e o direito em um tanque de cimento duvida.
Todo mundo vai a algum lugar,
menos tu e eu.
Somos uma convenção de portas fechadas.

O grilo
é grande,
é um presságio,
quer me dizer algo e quase me fatia o pescoço com uma antena.
Penso em agarrar o grilo em um frasco
mas não tenho frascos;
abro a janela
mas não salta,
não se move,
não sabemos o que fazer
ficamos esperando.

Fizemos
de olhar para o telefone nosso esporte nacional,
mas a derrota te cai bem,
coloca teus lábios
de uma forma
que me faz querer te beijar.
Não o faço porque és contagiosa.

Da estante tomo uma novela
e esmago o grilo,
o sangue não sai do forro.

 

Foto de capa: Confessions of a Superhero (2007)

 

 

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