Antonio Porchia | Vozes

Tradução
Lucas Reis Gonçalves

 

Meu pai, ao ir embora, deu meio século à minha infância.

Sem essa tonta vaidade que é mostrar-nos e que é de todos e de tudo, não veríamos nada e não existiria nada.

O homem não vai a lugar nenhum. Tudo vem ao homem, como a manhã.

Meus olhos, por haver sido pontes, são abismos.

E sem esse repetir-se eternamente de tudo, de si mesmo a si mesmo, a cada instante, tudo duraria um instante. Até a mesma eternidade duraria um instante.

Encontrarás a distância que te separa deles, unindo-te a eles.

Uma coisa, até não ser toda, é ruído, e toda, é silêncio.

Nada não é somente nada. É também nossa prisão.

Éramos eu e o mar. E o mar estava só e só eu. Um dos dois faltava.

O homem julga tudo desde o minuto presente, sem compreender que só julga um minuto: o minuto presente.

Quero porque quis, e o que quis, não voltaria a querer.

Mais choro que chorar é ver chorar.

A dor está em cima, não embaixo. E todos acreditam que a dor está embaixo. E todos querem subir.

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